É impressionante a capacidade das pessoas entrarem num mundo que já sabem à partida que é mau, nojento, terrível e do qual não há volta.
Trabalho de recepção e a necessidade de ler “Os filhos da droga”, um livro impressionante que relata com rigor o mundo daqueles que se entregam ao vicio, e estou a falar mesmo de uma entrega. A maioria das pessoas entra nesse mundo para se evidenciar, para mostrar que podem ser superiores a outros, de livre e espontânea vontade. Acabando num realidade terrivelmente má e nojenta. Ter de recorrer à prostituição a fim de ganhar dinheiro para alimentar o vício, ver os amigos mais próximos morrer sem a mínima dignidade.
O livro impressiona-me e ao mesmo tempo provoca-me um sentimento de revolta, como é possível uma menina de 13 anos estar já dependente da heroína ter de “fazer a rua” para arranjar dinheiro.
O que me deixa mais “perturbada” é saber que este é um relato real e não apenas ficção. Ter consciência de que existe um monte de pessoas nas mesmas condições que uma Christiane F. de origem alemã nos anos 70.
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