Terça-feira, 27 de Maio de 2008

“Agora faz-te à vida”

Esta foi logo no início da noite, estava eu toda entusiasmada a fazer uma off a partir de um take da Reuters, quando o Ricardo vem ter comigo e em linguagem gestual me disse que tinha de sair em reportagem. Claro que não percebi nada, só depois de desligar o telemóvel e falar comigo é que entendi que ia fazer trabalho de campo. O destino foi uma rua estranha, onde as senhoras se mostram e ganham a vidinha a vender o corpinho. O acontecido era uma acção de fiscalização a um “estabelecimento comercial”, onde se vende uns copos e o corpinho também.
O aparato era grande, aquela casa nunca esteve tão bem guardada. Dois super PSP’s com corpo de porteiro de discoteca a empunhar uma grande arma, que mais tarde me explicaram ser uma G3.
A única coisa que o senhor RI me disse foi “agora faz-te à vida”, esta frase vai ficar para sempre na minha memória, assim como o que senti quando a ouvi.
Lá andei eu a correr de um lado para o outro para conseguir falar com os responsáveis da operação, PSP e SEF, com o objectivo de obter depoimentos e autorização para recolher imagens. E a senhor RI impávido e sereno a ver as movimentações, encostado à parede com a sua “arma” às costas (câmara). Sim, eu também andava com a minha arma (micro), mas não a usei.
Autorização e depoimentos negados, encaminharam-nos para o departamento de relações públicas de SEF durante a manha. Descobri que é assim que funcionam as coisas.
O senhor da PSP foi muito simpático comigo, devia ter notado a falta de à-vontade e concluído que devia ser estagiária. O responsável do SEF, pelo contrário, devia ter achado que já ando nisto á muito tempo. Pediu-me a identificação ou carteira profissional. Fiquei assim…um pouco aflita, da SIC só tenho um cartão que nem a minha fotografia tem. Carteira profissional, sendo eu estagiária é complicado ter, daqui por uns meses com sorte, talvez tenha.

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